Como eu posso gostar disso? Como eu posso ser tão masoquista? Será que eu nunca irei aprender? Como eu posso permitir que alguém me bagunce tanto assim?
Traumas não superados... Eles atrapalham o rendimento do meu raciocínio, do meu corpo, dos meus pensamentos.
O desconexo faz mais sentido com as palavras proferidas, o passado volta com toda força e arrasta as suas convicções de superação daquele ser humano.
Confuso? Então seja bem vindo ao clube, pois eu também estou. Essas dúvidas estão rodeando meu cérebro, embaralhando todo o raciocínio lógico que possuo (o que já não é muito).
Nós damos o tamanho da liberdade e da importância que queremos para as pessoas se meterem e influenciarem nossas vidas, mas o que fazer quando você depositou toda a sua confiança em algo que não deu certo e a consequência disso é um enorme desejo de que o tempo volte, que você possa fazer as coisas diferentes? De forma mais madura?
Eu odeio não conseguir recuperar a confiança e essa lacuna me deixar vulnerável aos joguinhos de palavras ora doces, ora envenenadas de más intenções. Se você queria saber se você ainda faz parte da minha vida. Sim, você faz... Você nunca vai deixar de fazer parte. Eu sempre olharei pra você e me sentirei ridícula por perceber que ainda te desejo, que ainda sinto tudo aquilo que pensei em ter superado.
Eu não estou na melhor fase da minha vida. As dúvidas são inúmeras, os medos são congelantes e tudo que eu quero nessa hora é ter a certeza de que seus braços não são mais aconchegantes, que seu beijo não tem mais o mesmo gosto, que suas mãos não são mais macias, firmes e fortes; que seu abraço não traz mais a segurança que eu sentia.
Porque você não falou dos seus sentimentos? Porque você sumiu? Nossas vidas poderiam ser diferentes hoje. Eu errei, eu sei disso... Fui muito imatura. Mas o que eu poderia esperar de mim mesma? Eu só sou uma garota cheia de desejo, mas enclausurada por regras, medos e traumas. E você se tornou mais um trauma que tento superar todos os dias. Um trauma que eu quero ter para o resto da minha vida. Paradoxo? Talvez, assim como todo o meu sentimento por você.
Eu não guardo mágoas nem rancor (o que de certa forma é um milagre), mas eu cultivo um enorme arrependimento. Arrependimento de não ter insistido. Arrependimento por não saber como agir na época. Arrependimento por ter tido tanto medo de viver aquilo que eu mais queria com você. Arrependimento por não ter me doado não só de alma, mas de corpo... Na minha totalidade. Me arrependo de não ter percebido o quanto eu te amava.
Sim, eu sou maluca. Depois de tanto tempo, eu ainda não consegui olhar pra você e ter a certeza de que não me importo mais. Eu sempre preciso falar com você e sentir toda a contradição de sentir alívio e raiva por você ainda mexer comigo, por suas palavras ainda causarem náuseas e conflitos internos. Eu adoro sentir isso.
Eu te quero novamente, nem que seja só por uma noite.
Queria ter a certeza de que queres o mesmo. Queria ter a certeza do porque que você foge sempre que chego perto demais. Queria ter a certeza de que eu também te confundo. Queria ter a certeza de que você me deixou de fora da sua vida pelo mesmo motivo que eu tento te afastar da minha sem obter sucesso.
Volte. Nem que seja por uma noite. Desta forma poderei me despedir, me despedir da nossa história, me despedir de você. Dizer “adeus” à dúvida de que talvez tivesse dado certo. Dizer o “adeus” que eu preciso pra te superar de uma vez por todas.
Volte. Apenas volte. Este é o meu ultimo desejo.